Solidão em tempos de conexão global

Sherry Turkle, psicóloga e socióloga, fez um estudo muito interessante sobre como os nossos dispositivos eletrônicos e personalidades online estão redefinindo a comunicação humana. Ela disse: “Nós esperamos mais da tecnologia e menos uns dos outros“.

O estudo me inspirou uma profunda reflexão e este artigo sobre “como a humanidade tornou-se solitária ao experimentar a falta de relacionamentos reais”.

Nossos dispositivos se tornaram tão presentes, que muitas pessoas têm dificuldade em ficar longe de seus smartphones, tablets ou computadores, mesmo na hora de dormir.

Não há mais contato visual com as pessoas, que estão checando Facebook, Twitter, WhatsApp ou Instagram e teclando enquanto tentamos conversar. Em vez de um bate papo agradável durante as refeições (SE a família se reunir para isso), cada um tem um mundo solitário privado para verificar. Ninguém dá atenção total ao outro, mas apenas aos seus dispositivos. Mesmo estando junto no mesmo lugar, isso não significa que eles estão realmente “presentes”. A tecnologia mudou definitivamente a maneira como as pessoas interagem e enfrentam a vida e os relacionamentos.

Pessoas não cultivam relacionamentos e proximidade como antes e escondem sua essência.

Outro comportamento interessante tem acontecido desde o início da Internet e redes sociais. Muitas pessoas criam suas “personas virtuais” (avatares) e usam o Facebook, Twitter, Blogs e mundos virtuais como seu terapeuta (analista). Muitos acordam e vão para suas “páginas web” para desabafar suas frustrações ou raiva, e muitos ainda alimentam “bate-boca online” através de mensagens no Facebook (confira os “haters”) e “Twitts”; também (sem qualquer razão especial ou objetivo) muitos vão contar o que estão comendo / bebendo (e postam fotos para compartilhar com seus “seguidores”!). Eles “têm que” compartilhar tudo, até mesmo situações embaraçosas. Isso se tornou uma necessidade e dependência!

  • Mídias Sociais tornaram-se consultórios psicológicos para aqueles que buscam aceitação.

Ninguém tem 1000, 3000 ou 5.000 amigos. Por que as pessoas têm sentido tanta insegurança e quase imploram por seguidores e “curtir”? Podemos desfrutar muito mais do que alguns textos curtos e emoticons para nos comunicarmos. E acima de tudo, podemos ter conversas inteligentes e agradáveis; mas muitos não têm nada a dizer ou não desenvolvem seu intelecto e não sabem como conversar.

A sociedade tornou-se muito superficial e não está interessada em se aprofundar em um texto ou conversa. Se um texto tem mais de três linhas, eles simplesmente param de ler ou, se o título chamar a atenção, muitos vão “compartilhar”, mesmo sem saber exatamente o que é.

Uma conversa verdadeira não pode ser editada antes de falar, como fazem ao postar mensagens de texto ou e-mail. As pessoas se apresentam como gostariam de ser e criam seus personagens para agradar aos outros. É por isso que quanto mais conectados, menos reais são as interações. Basta postar uma bela citação e foto de autoria de outros e obter centenas de “Curtir”.

Isso é suficiente para muitos que se escondem atrás de avatares e suas páginas pessoais, e não querem maior proximidade. Fotos são excessivamente retocadas para esconder imperfeições, palavras são editadas e o copiar / colar o faz soar mais esperto; “personagens” conquistam mais “seguidores”, mas onde está a pessoa real? Esta “persona” é solitária e desfruta seu “palco virtual”.

Divulgar palavras sábias e beleza criadas por outras pessoas é muito bom, com certeza! Não estou negando isso, mas não podemos usar para construir uma imagem e, em seguida, espalhar pela Internet, em vez de compartilhar o contato real e quem realmente somos. Você está feliz com seus “amigos” virtuais, que provavelmente você nunca vai encontrar em tempo real em 99%? Você realmente acha que todos eles se preocupam com você?

Esses dispositivos tornaram-se tão poderosos que cada vez mais pessoas dependem deles 24hs por dia. Não podemos negar que as Mídias Sociais e esses “brinquedinhos” são geniais e ajudam a viver uma vida mais rica. Quando explorados com sabedoria, podem ser uma ferramenta perfeita para Marketing Pessoal e de negócios, para atingir milhões e fazer a diferença. Mas, equilíbrio é a chave!

Há até mesmo uma nova “fobia” chamada Nomophobia – o medo de estar longe do celular. O termo é uma abreviação de fobia “no-mobile-phone”.

Tweets, mensagens de texto e compartilhar dão a falsa sensação de que você não está sozinho, e quando as pessoas percebem que isso não pode resolver todos os seus problemas, elas entram em pânico e buscam mais compensações no mundo virtual.

Não sou contra a Internet, computadores, smartphones ou tablets; eles são muito importantes e úteis. Mas, receio que muitas pessoas, especialmente a geração Y, estejam perdendo a magia de experimentar uma simples conversa olho no olho…

Aonde a tecnologia vai nos levar se não houver equilíbrio na maneira de usá-la em nossas vidas?

Que tal reservar algum tempo para um encontro cara a cara e falar sobre o que realmente importa? Cuide também de sua saúde emocional.

Você ousaria?

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